quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Pressa



Dia chuvoso, coração inquieto, mormaço desconfortante e no pensamento o desejo de ser alguém.
Na cabeça o medo do tempo correr tão depressa que não tenha forças para alcançá-lo; entretanto a certeza de que passa tão lentamente, que raramente seus olhos são capazes de perceber.
O tempo e seu movimento de forma tão peculiar, o impele a seguir, a lutar, a quebrar as barreiras do medo que exacerbadamente fumega em seu interior.
O anseio pelo conhecimento, pelo crescer, o torna ganancioso, competidor furioso capaz de extrair o máximo de si para alcançar seus objetivos.
Eis que a impaciência lhe tira o sono, o faz perder noites afundado em inúmeros pensamentos sobre o que virá após o amanhecer, e o que poderá fazer.
A pressa, que tão inimiga da perfeição, se faz necessária para este coração angustiado, até o momento que se percebe humano e, todavia, não há como correr então o que lhe resta fazer senão: saber sofrer as demoras de Deus e assim, deixar-se formar na tão difícil paciência.
(Júlio César Neves)

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